Histórico da OM

13º GRUPO DE ARTILHARIA DE CAMPANHA
GRUPO GENERAL POLIDORO

      Ao estudarmos a origem histórica do 13º GAC, teremos como ponto inicial o Corpo de Artilharia de Pernambuco, criado em 1665. No ano de 1824, passou a ter a designação de 8º Corpo de Artilharia de Posição. Transformou-se no 4º Corpo de Artilharia de Posição em 1831, ainda na cidade do Recife. Em 1839, recebeu a denominação de 3º Batalhão de Artilharia a Pé. Em 1860, mudou sua sede para a cidade de Belém, PA, e, em 1865, encontrava-se nos campos de batalha do Paraguai. O 3º Btl Art Pé teve destaque nos combates de Passo da Pátria, Tuiuti (1ª e 2ª batalhas), Ita-Ibaté e Angustura. Na Campanha do Paraguai, o Batalhão era dotado de 12 canhões La Hitte de 6 libras.

      O 3º Btl Art Pé foi repatriado ao Rio de Janeiro m 1870, seguindo para Manaus, AM, em 1871. Retornou ao Recife em 1884 e, em 1888, recebeu a designação de 3º Batalhão de Artilharia de Posição, sendo transferido para a cidade de Rio Grande, RS. No ano de 1908, foi denominado 9º Batalhão de Artilharia de Posição. Nessa época, o material de dotação era o canhão Krupp 75 mm L / 24 TL.

      O 9º Batalhão foi extinto em 4 de setembro de 1915, sendo seu contingente incorporado ao 5º Grupo de Obuses (5º GO), criado pelo Decreto nº 11.497, de 23 de fevereiro de 1915, cuja sede era a cidade de São Gabriel. Desta forma, o 5º GO ficou constituído pelas Baterias de Obuses das 3ª e 4ª Brigadas Estratégicas (Bia O das 3ª e 4ª Bda Estrt), respectivamente sediadas em Cruz Alta e São Gabriel, e o 9º Batalhão de Artilharia de Posição de Rio Grande. O primeiro comandante do 5º GO foi o Major Jonathas Borges Fortes, sendo publicado o primeiro Boletim Regimental em 1º de abril de 1915, ainda na cidade de São Gabriel. Por esse motivo, durante vários anos, o aniversário do Grupo foi comemorado no dia 1º de abril. Em 1980, essa comemoração passou para 4 de junho, data de criação do 9º Batalhão de Artilharia de Posição. Em 1915, o Grupo era dotado de oito obuseiros Krupp 105 c/14, modelo brasileiro 1908, material oriundo das Bia O das 3ª e 4ª Bda Estrt.

       Em 7 de janeiro de 1918, o 5º GO se deslocou para a cidade de Margem do Taquary, atual General Câmara, RS, a bordo do vapor “Almirante Jaceguay”. O Grupo ocupou, em 16 de setembro, as dependências do antigo edifício do escritório e oficinas da antiga estrada de ferro Porto Alegre-Uruguaiana. Passou a ser o 3º GO em 3 de dezembro de 1919 e, em 21 de fevereiro de 1922 (Decreto de 1921), I / 3º Regimento de Artilharia Pesada. No dia 17 de fevereiro de 1923 (Decreto de 1922), recebeu a designação de 3º Grupo Independente de Artilharia Pesada. Participou da Revolução Integralista de 1924 com uma Bateria de Obuses em São Paulo e outra no Paraná, atuando contra os rebeldes.

       Exatamente às 21 horas do dia 3 de abril de 1928, o Grupo chegou à cidade de Cachoeira do Sul, sua sede definitiva. Em 3 de outubro de 1930, deslocou-se para São Paulo e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, a fim de tomar parte ativa na Revolução de 1930. Em 1932, combateu novamente em São Paulo, tomando parte no movimento sedicioso irrompido a 9 de julho, no intuito de não permitir que os elementos perturbadores desfizessem os ideais semeados em 1930. Nessa ocasião, destacou-se nos combates de Bury, Casa Branca, Ponte do Damião, Rio das Almas e Ponte dos Priselas, na região da Serraria. No dia 30 de novembro de 1934, o Grupo passou a ser novamente chamado de 3º GO.

       Em 1945, a Unidade sofreu a transformação de hipomóvel para motorizado, realizando o seu primeiro Curso de Motoristas no período de 2 de janeiro a 4 de abril do mesmo ano. Em 24 de abril, recebeu a denominação de I / 3º Regimento de Obuses. Em 6 de julho, colocou fora de carga todo o material Krupp, estando o Grupo totalmente adaptado ao novo material, o obuseiro americano de 105 mm M101A1. Em 5 de outubro, realizou o seu primeiro tiro com o novo material nos campos de Rio Pardo, sendo considerado, também, o primeiro tiro desse material no Rio Grande do Sul. Em 1º de julho de 1946, o Grupo foi denominado I / 3º RO 105.

       No dia 3 de maio de 1961, a Unidade recebeu 12 obuseiros 155 mm M1A1 e 12 tratores de 13 toneladas M5. Em 8 de maio, recebeu a denominação de 3º GO 155 e, finalmente a 1º de janeiro de 1972, 13º Grupo de Artilharia de Campanha.

       Em 20 de junho de 1972, recebeu 18 obuseiros 155 mm M114A2 de fabricação sul-coreana, a fim de substituir os de origem americana.

 
       Em 29 de dezembro de 1981, o Grupo recebeu a segunda leva do material sul-coreano, sendo o material da primeira leva enviado para o 16º GAC de São Leopoldo, em 19 de março de 1982.

       No período de janeiro de 1984 a novembro de 1989, o Grupo possuiu quatro lançadores múltiplos 108 mm / 16-R, de fabricação nacional. Nesse período, o Grupo foi considerado o maior poder de fogo da América Latina.

        Com a Portaria Ministerial nº 283, de 15 de março de 1995, o 13º GAC recebeu a denominação histórica de “Grupo General Polidoro”. Em 27 de março de 1996, o Grupo recebeu seu Estandarte Histórico das mãos do Comandante Militar do Sul.


        Em 2005, foi inaugurado o Centro Hípico General Polidoro, que tem como meta principal dar apoio à APAE na reabilitação dos portadores de necessidades especiais por meio da equoterapia. Trata-se de uma atividade voltada para o processo de reabilitação de diversas patologias, como distúrbios mentais, sensoriais e emocionais, além de auxiliar na maturação do desenvolvimento psicomotor de pessoas portadoras de necessidades especiais.

        Em 2013 foi extinta a 3ª Bateria de Obuses, sendo o seu material redistribúido entre as outras Baterias restantes e mudando então o efetivo da Unidade para uma Bateria de Comando e duas Baterias de Obuses e se tornando uma Unidade de tipo 2.
         No ano de 2014, o Grupo General Polidoro recebeu 12 viaturas Volkswagen Constellation 31.320, tratoras do Obuseiro 155 mm  M114 AR e distribuídas entre a 1ª e 2ª Baterias de Obuses.
          Em 2015, passou a ser subordinado ao Comando de Artilharia do Exército.
       Hoje, como ontem, Oficiais e Praças orgulham-se de pertencer ao 13º GAC, escola de trabalho e civismo, digna de figurar nas páginas da história do nosso Exército 



GENERAL POLIDORO DA FONSECA QUINTANILHA JORDÃO
VISCONDE DE SANTA TEREZA

Entre os grandes generais do Exército Brasileiro que mais honraram pelas atitudes morais e pela bravura nos campos de batalha, o nome de Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão, Visconde de Santa Tereza, tem um merecido lugar de destaque.

O General Polidoro nasceu em São Miguel da Terra Firme, Santa Catarina, em 2 de novembro de 1800, filho do Major João Florêncio Jordão. Assentou praça em 7 de fevereiro de 1824, como Cadete da Escola Militar. Promovido ao posto de Alferes em 12 de outubro de 1824, Tenente em 17 de fevereiro de 1825 e Capitão em 12 de outubro de 1827. Integrou o Imperial Corpo de Engenheiros na Guerra dos Farrapos, sob as ordens do então Barão de Caxias. Como Capitão do 1º Corpo de Artilharia de Posição, foi nomeado juiz de uma comissão, formada em 1831, para examinar os estrangeiros do Exército e da Armada, que não haviam aderido a nossa nacionalidade.

Foi promovido ao posto de Major em 12 de julho de 1837, Tenente-Coronel em 3 de agosto de 1841 e Coronel em 26 de julho de 1851. Neste último ano, o Coronel Polidoro teve atuação notável na implantação do telégrafo no nosso País, sendo considerado um dos dois primeiros telegrafistas do Brasil (Henrique Boiteux, em “Santa Catarina no Exército, 2º volume).

Em 2 de dezembro de 1856, foi promovido a Brigadeiro, tendo ocupado a Pasta da Guerra em 1862, no Gabinete do Marquês de Olinda. Quando irrompe a Guerra do Paraguai, Polidoro, já no posto de Marechal-de-Campo (22 de janeiro de 1866), é nomeado para substituir o Marechal Osorio, ferido em Tuiuti. Polidoro assume o comando do 1º Corpo de Exército e o Comando-em-Chefe das Forças Brasileiras, alcançando as vitórias de Punta Naro, Boqueirão, Potreiro Pires e Curuzu. Em face das injustas acusações sofridas pela derrota em Curupaiti, Polidoro pede demissão do Comando e segue para o Rio de Janeiro em outubro de 1866.

Em 1º de junho de 1867, é promovido ao posto de Tenente-General, passando a comandar a Escola Militar da Corte. Retornou à Campanha do Paraguai, em 1869, por decisão do Marechal Conde D’Eu, que lhe confiou o comando do 2º Corpo de Exército.

Após a Guerra do Paraguai, Polidoro retornou ao comando da Escola Militar no Rio de Janeiro (início de 1870). Dedicou seus últimos anos de vida à instrução e educação de prisioneiros oriundos dos campos de batalha, especialmente crianças e jovens de 10ª 25 anos de idade. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Imperial Ordem de Bento de Aviz, com as Ordens do Cruzeiro e da Rosa e com a medalha de Mérito Militar da Campanha do Paraguai. Pelo Decreto Imperial de 24 de março de 1871, foi agraciado com o título de Visconde de Santa Tereza. Faleceu no dia 13 de janeiro de 1879 na cidade do Rio de Janeiro.

Atuação do 3º Batalhão de Artilharia a Pé na Campanha do Paraguai

       A notória insuficiência de artilharia de campanha fez com que, no começo da Guerra do Paraguai, os batalhões de artilharia a pé fossem mobilizados para participar das operações, ficando as fortificações em geral sob o comando de oficiais reformados (ou daqueles que, por motivo de saúde, foram afastados da campanha). O 3º BAPé, cuja sede era Belém do Pará, foi embarcado em 19 de março de 1865 para o Rio da Prata com escala no Rio de Janeiro, para se reunir ao 1º Corpo de Exército que marchava em território argentino. Em 3 de agosto de 1865 aparece essa unidade já reunida ao 1º CEx, sob o comando de Osorio, no acampamento de Mocoretá (limite entre Corrientes e Entre Rios), com o efetivo de 27 oficiais e 346 praças. Retomada a marcha para a fronteira paraguaia, depois da rendição de Uruguaiana, vamos novamente assinalar a presença do 3º Batalhão no acampamento de Tala-Corá, em 1º de março de 1866, integrando a 17º Brigada (de Artilharia), comandada pelo Coronel Gurjão; dispunha então de 26 oficiais e 364 praças. Em 22 de abril de 1866, aparece atuando no Passo da Pátria, com 12 bocas-de-fogo, concorrendo para o abandono dessa área pelos comandados de López, no dia 23. Seguiu depois para o acampamento de Tuiuti, formando com o 1º BAPé um 2º escalão de artilharia; comandava-o, nessa oportunidade, o Major Hermes Ernesto da Fonseca. Em 16 e 18 de julho de 1866, a Bateria Vasques, com quatro peças raiadas de 6, no flanco esquerdo do dispositivo, e as restantes oito peças mais à retaguarda, toma parte nos combates de Laguna Pires, em que o inimigo foi repelido com fortes baixas. Mantido no acampamento do 2º CEx em Tuiuti, destacou baterias para diversos pontos da linha fortificada, participando do ataque à Linha Rojas, em abril de 1867. Na 2ª batalha de Tuiuti, em 3 de novembro de 1867, tendo como comandante o Tenente-Coronel Pedro Nolasco Pereira da Cunha, participou das forças comandadas pelo Barão de Porto Alegre, que se opuseram à investida de cinco colunas paraguaias. Em dezembro de 1867, fazia parte da 2ª Brigada de Artilharia, comandada pelo Coronel Gurjão, estando sob o comando do Tenente-Coronel Pereira da Cunha e dispõe de quatro canhões de 6, quatro canhões-obuses de 4,5, uma estativa austríaca de 2,5 e uma de 2. Quando das operações para estreitamento do cerco ao recinto fortificado de Humaitá, o batalhão participa dos bombardeios levados a termo desde 11 de abril até 16 de julho de 1868 (reconhecimento à viva força). Abandonada essa fortaleza em 25 deste mês, foi o 3º Batalhão designado para guarnecê-la e, junto com o 1º BAPé, arrolar o material apreendido e destruir as baterias dessa praça-forte. Em 10 de dezembro de 1868, o mapa das forças assinala sua presença aí, fazendo parte da 6º Brigada de Infantaria; já em 14 de abril de 1869, apresenta um elevado efetivo de 1.618 homens, pois funciona como uma espécie de unidade-depósito até o término da guerra. Repatriado para o Rio de Janeiro, com 24 oficiais e 359 praças, em 3 de agosto de 1870, no vapor Galgo, sob comando do Major Adriano Xavier de Oliveira Pimentel, foi mais tarde reembarcado para o Norte do Brasil. Em 1871, seu comandante era o Tenente-Coronel Floriano Peixoto.

(FORTES, Hugo G. Borges. Canhões cruzados. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 2001, p. 79-80)


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